A estação
Restauradores é uma das onze estações pertencentes à 1ª fase do 1º escalão da
construção da rede do Metropolitano de Lisboa, abriu ao público em 1959 quando
da inauguração da rede. Em termos arquitectónicos e artísticos seguiu o
programa então adoptado para todas as estações desse escalão, o projecto
arquitectónico é da autoria do Arq.º Falcão e Cunha e a intervenção plástica da
pintora Maria Keil.
As cerâmicas sobre pedras preciosas são mostra da tecnologia e arte
indígena - a ocarina da tribo Tukâno, a tigela e o pote da Tribo Kadiweu.
A flora permeia a imagem que nos conduz a uma nau portuguesa a todo o pano.
Raízes de mangue, frutos e pássaro (este com elementos da plumária indígena)
junto a um grafismo (não identificado de forma a assinalar a extinção de povos
indígenas) e máscara cerimonial Tukana, fundem-se com a embarcação e seus
tripulantes.
Apresenta-se, em seguida, a descodificação de alguns signos segundo palavras do
próprio autor:
O Idealismo Mercantilista- Personagem central que marca a história.
A
Propriedade Privada- Havia no Brasil uma
sociedade agrária diferenciada, ou seja, uma sociedade sem classes
sociais, sem propriedade privada. Elementos simbólicos de propriedade,
antigos e contemporâneos, caracterizam o personagem.
A Ciência- Simbolizada através do astrolábio, da presença dos matemáticos,
geógrafos, astrónomos e pilotos que criaram o Regimento do Astrolábio,
peça fundamental no avanço das expedições navais. O astrolábio está
apoiado em tecidos com as cores nacionais de Portugal e Brasil.
A
Tecnologia- O avanço tecnológico é
mostrado através da construção naval que possibilitou a viagem da esquadra
de Pedro Álvares Cabral ao Brasil. Os conhecimentos náuticos são
simbolizados pelo mapa que assinala as costas de Portugal, Espanha e
Continente Africano. Várias naus no oceano, rumando ao Brasil, completam o
"quadro".
A Cultura- Representada por personagem com pena e livro nas mãos. No
chapéu o sol, a lua, a nuvem, a borboleta: símbolos de criação artística.
A Religião- Representa um religioso incluindo os conceitos do Bem (anjo) e
do Mal (diabo).
O Bem- Anjo com asas e auréola. Flor e coração lembram a sua luta
libertária dos anos 70 com a palavra de ordem "Paz e Amor".
O Mal- O diabo sinaliza o seu símbolo.
A Ganância- Simbolizada pela mão esquerda apoiada na tampa da arca com
objectos de prisão ou castigo usados para sujeitar os escravos.
A
Ambiguidade- Na literatura universal
encontramos com frequência um personagem dúbio ou dissimulado que estimula
a nossa curiosidade, e que aqui é representado pelo embuçado com um facão
atravessado no chapéu. Será a ambiguidade em pessoa?
O Militarismo- A lança marca o uso da força na defesa da "ordem
constituída".
O Fantasma- Personagem situado no limite da embarcação com a floresta.
Representará a ameaça do desconhecido? Representará o medo da propagação
de doenças inexistentes neste continente? Representará o pronúncio da
escravidão?.
Do ponto
de vista da técnica utilizada salienta-se, a pintura a pincel, a corda seca em
esmalte vitrificável sobre material cerâmico, bem como aplicações de cristal de
Murano. A execução esteve a cargo de Delinea Cerâmica Artística, São Paulo,
Brasil.
Em Agosto de 1998 foi inaugurada a ligação Restauradores Baixa/Chiado, a
remodelação do átrio Sul da estação Restauradores inseriu-se neste
empreendimento. O projecto arquitectónico correspondente é da autoria do Arq.º
Manuel Ponte e as intervenções plásticas são de Nadir Afonso e Lagoa Henriques.
Lagoa Henriques, escultor neofigurativo, concebeu para esta estação dois
trabalhos: uma estátua em pedra de uma figura feminina e um painel em pedra
gravada versando o tema da poesia, numa homenagem a grandes nomes da nossa
cultura, António Boto, Mário de Sá Carneiro, Fernando Pessoa, Almada Negreiros,
Cesário Verde e Luís de Camões.